Wadaiko Sho realiza sonho de tocar no Rock in Rio

Com informações Jornal Nippak


 

 De atração imprescindível em qualquer matsuri (festival) que se preze, o taiko (tambor japonês) está prestes a encarar um de seus maiores desafios: conquistar a Cidade do Rock. E a façanha está a cargo de um dos mais conceituados grupos de taiko do país: o Wadaiko Sho. Seu fundador, Setsuo Kinoshita, é também um dos tocadores mais respeitados do Brasil e dedicou praticamente toda sua vida em prol do taiko. “Sempre tive vontade de tocar no Rock in Rio, mas nunca tivemos contato com a organização”, conta Kinoshita, que também é líder do Setsuo Kinoshita Taiko Group, que comemorou 20 anos de estrada no último dia 22 com um show no Masp e é considerado um grupo de entrada para quem quer tocar no Wadaiko Sho.

Divulgação

Sonho – Escolhido como um dos 10 solistas de 2010 no 9th Tokyo International Taiko Contest, o mais cobiçado concurso de taiko do mundo e imortalizado no Museu da Imigração Japonesa no Brasil – localizado no Edifício do Bunkyo, no bairro da Liberdade, em São Paulo – o músico explica que recebeu o convite para se apresentar na 20ª edição do Rock in Rio outubro do ano passado.
E desde então tem sido uma correria para organizar tudo, desde a aquisição de novos taikos até a documentação dos músicos. Agora, experimente perguntar para Setsuo Kinoshita se o “sacrifício” vale a pena?
“Acredito que o Rock in Rio é o palco em que todos os artistas do mundo, independentemente do instrumento ou do estilo gostaria de pisar”, diz Kinoshita, lembrando que o grupo fez uma tremenda festa tão logo foram informados.
“É a realização de todo músico tocar no Rock in Rio e com a gente não poderia ser diferente”, diz Setsuo Kinoshita, acrescentando que uma das exigência dos organizadores foi a de que todos os dez integrantes fossem descendentes de japoneses.

Samba e orquestra – Tocar em um palco “diferente” do que estão acostumados não é bem uma novidade para os músicos do Wadaiko Sho. O grupo já se apresentou no sambódromo paulistano no carro alegórico da escola de samba Unidos de Vila Maria e também na Águia de Ouro – ambas do Grupo Especial de São Paulo – e já se apresentou com músicos do Grupo Mawaca e da Orquestra Jazz Sinfônica de São Paulo. Entre outros feitos, traz também em seu currículo participação na abertura oficial do Ano do Intercâmbio Brasil-Japão, no hall do Palácio Itamaraty, em Brasília (nesse mesmo ano o Wadaiko Sho contabilizou mais de 85 apresentações por ocasião das comemorações do Centenário da Imigração Japonesa) e participação na Rio+20, em 2012, a convite do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Japão.

Reconhecimento – Para Kinoshita, que desde 2009 conquista o Prêmio de Música Popular Brasileira do Sesi/São Paulo, “o mais legal desta história é o reconhecimento do taiko”. “Sou suspeito para falar, mas fico feliz em ver onde o taiko chegou”, diz Kinoshita, explicando que seu objetivo sempre foi levar o taikô para fora da comunidade nikkei. E a proposta do Rock in Rio é bem isso. Na Cidade do Rock, o Wadaiko Sho se apresentará todos os dias no Palco Street Asia – que já homenageou a cidade de Nova Orleans e a África. No total serão duas entradas todos os dias, às 15h30 e às 20h30, de 30 minutos, além de uma performance diária nas ruas da Cidade do Rock em parceria com a Dança dos Dragões e Leões Chinesa.
E, é claro, se sobrar tempo – e fôlego – os integrantes do Wadaiko Sho devem dar uma escapadinha para tentar assistir algumas das apresentações deste ano.