Nossas relações econômicas com o Japão

H á 120 anos, em 5 de novembro de 1895, o Brasil e o Japão assinavam o Tratado de Amizade, Comércio e Navegação, que foi o início das relações diplomáticas entre os dois países e que proporcionou a vinda de imigrantes japoneses ao Brasil. Posteriormente, anos após o fim da Segunda Guerra Mundial, houve a instalação filiais de empresas multinacionais japonesas e a intensificação do comércio bilateral com o nosso país. É a respeito da economia do Japão, nação com a qual o Brasil têm laços oficiais antigos, que diz respeito este artigo, com dados gerais sobre sua economia. A segunda parte analisa as atuais relações econômicas entre o Brasil e o Japão.

ECONOMIA JAPONESA
O Japão tem uma área geográfica de cerca de 380 mil quilômetros quadrados e população de pouco mais de 127 milhões de habitantes, o que resulta em uma densidade populacional de 335 habitantes por quilômetro quadrado.

O Produto Interno Bruto (PIB) do Japão é de US$ 4,920 trilhões, considerada a terceira maior economia do mundo, e sua renda per capita é de US$ 46.330, ou seja, entre as 30 maiores do mundo, segundo dados de 2013. Em sua estrutura econômica, o setor de serviços é predominante no PIB, representando 73,6% da sua composição, seguido pelo setor industrial, com 25,2%, e do setor agrícola, com 1,2%.

O comércio japonês também é bastante representativo, uma vez que é o quarto maior exportador mundial, com participação de 4,4%, assim como é o quarto maior importador mundial, com participação de 4,8%. No que se refere à pauta comercial japonesa em 2013, os principais produtos exportados são equipamentos de transporte (com a participação de 14,9% do total das suas exportações); maquinários em geral (19,1%); maquinários elétricos (17,3%); bens manufaturados (13,2%); produtos químicos (10,8%); minerais combustíveis (2,2%); e matérias-primas (1,7%). Os principais produtos importados são minerais combustíveis (33,8%); maquinários elétricos (12,7%); alimentos (8,0%); produtos químicos (8,0%); bens manufaturados (7,7%); maquinários em geral (7,3%); matérias-primas (6,6%); e equipamentos de transporte (3,4%).

“O intercâmbio comercial brasileiro com o Japão em 2014 resultou num saldo comercial de US$ 816 milhões.”

O fluxo de investimento direto, aquele aplicado diretamente para as atividades produtivas do Japão para o exterior, é o segundo maior do mundo, com US$ 136 bilhões. Esses investimentos são realizados por empresas multinacionais. As maiores empresas japonesas, segundo a Forbes, são a Toyota (12ª maior empresa do mundo); a Mitsubishi UFJ Financial (37ª); a Sumitomo Mitsui Financial (56ª); a Nippon Telegraph & Telecommunications (61ª); a Honda Motor (70ª); a Soft bank (73ª); a Mizuho Financial (101ª); a Mitsui Corporation (153ª); a KDDI (178ª); e a Tokio Marine (189ª).

RELAÇÕES ECONÔMICAS ENTRE O BRASIL E O JAPÃO
O intercâmbio comercial brasileiro com o Japão em 2014 resultou num saldo comercial de US$ 816 milhões. Assim, o Japão é o quinto maior destino das exportações brasileiras e o nono maior fornecedor das importações brasileiras. Os principais produtos brasileiros exportados ao Japão são minérios de ferro não aglomerados (26,03% do total das exportações brasileiras ao Japão); pedaços e miudezas de galinha (15,88%); café não torrado em grão (7,27%); minérios de ferro aglomerados (7,25%); alumínio bruto (6,58%); soja (4,46%); milho em grão (3,46%); minérios de ferro para peletização (2,38%); e ferro-silício (1,76%).

Já os principais produtos importados do Japão pelo Brasil são automóveis (5,59% do total das importações brasileiras do Japão); caixas de marchas para veículos (2,78%); motores de explosão para veículos (2,18%); partes e acessórios de carrocerias de automóveis (1,96%); partes e acessórios de motocicletas (1,83%); cartuchos e toners (1,74%); partes para aviões e helicópteros (1,54%); partes para motores de explosão (1,34%); ferramentas diversas (1,26%); e barcos-faróis, guindastes, docas, diques flutuantes (1,23%). Pode-se notar, portanto, que o Brasil exporta, basicamente,commodities ao Japão e importa deste país produtos de alto valor agregado.

Quanto ao investimento direto japonês no Brasil, o seu estoque é de US$ 28,312 bilhões. O Japão é o sexto maior investidor no País, representando 5% de todo o investimento direto estrangeiro, segundo dados de 2013. Os setores de atividade econômica com os maiores estoques dos investimentos japoneses são a indústria de transformação (54,13% do estoque); as indústrias extrativas (21,30%); as atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados (17,47%); e o comércio, a reparação de veículos automotores e motocicletas (4,06%).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BACEN (Banco Central do Brasil). Censo de capitais estrangeiros no país – resultados para 2013. Disponível em:http://www.bcb.gov.br/Rex/CensoCE/ port/resultados_censos.asp?idpai=. Acessado em: 3 abr. 2015.

FORBES. Global 2000 Leading Companies in 2014. Disponível em: http://www.forbes.com/global2000/ list/. Acessado em: 3 abr. 2015.

JAPAN. Statistical Bureau. Ministry of Internal A airs and Communications. Statistical Handbook of Japan. 2014.

MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio). Estatísticas de comércio exterior. Disponível em:http://www.mdic.gov.br//sitio/ interna/index.php?area=5. Acessado em: 3 abr. 2015.

UNCTAD. World Investment Report 2014. Geneva.

WORLD BANK. Disponível em: http:// data.worldbank.org/country/japan. Acessado em: 3 abr. 2015.

ANÁLISE
Pelos dados analisados, pode se concluir que o Japão tem uma grande importância econômica mundial. As relações econômicas com o nosso país são aprofundadas, uma vez que o Japão é o quinto maior destino das exportações brasileiras e o nono maior fornecedor das importações brasileiras, além de ser o sexto maior investidor em atividades produtivas e de serviços no Brasil.

*SILVIO MIYAZAKI é professor doutor em Economia pela USP, doutor em Economia pela FGV-SP e organizador do livro Integração Econômica Regional, lançado pela Editora Saraiva.