Japão sofre com falta de trabalhadores para limpar áreas afetadas por tufões

Reuters e Alternativa


Devastado por uma série de tempestades, incluindo o pior tufão em décadas, o Japão está aumentando os gastos em resgate, reparo e limpeza. Mas há um problema: há mais pás do que mãos.
 
O governo do primeiro-ministro Shinzo Abe concordou em usar US$ 6,5 milhões para alívio imediato de desastres e pode solicitar mais dinheiro para financiar a reconstrução depois que o tufão Hagibis atravessou grande parte da ilha principal do Japão este mês, matando mais de 80 pessoas.
 
“Tomaremos medidas fiscais, incluindo um orçamento suplementar, se necessário, para que os governos locais atingidos pelo desastre possam fazer o máximo possível na reconstrução”, disse Abe.
 
Mas, por mais que Abe gaste, uma escassez de mão de obra significa que seu governo terá dificuldades para reparar barreiras de rios e outros danos em uma ampla faixa do país.
 
A construção é um dos setores mais críticos no mercado de trabalho do país desde os anos 1970.
 
À medida que a população do Japão diminui, a oferta de trabalhadores da construção civil caiu 28%, desde o pico no final dos anos 90, para cerca de 5 milhões. No entanto, a demanda permanece robusta em meio a uma expansão econômica de quase sete anos e antes das Olimpíadas de Tóquio no próximo ano.
 
O setor de construção tem 5,3 vagas de emprego para cada candidato, mostram os dados mais recentes do governo, uma taxa apenas inferior à dos guardas de segurança e muito acima do índice geral de 1,6, que é o mais alto do Japão em décadas.
 
MUITO TRABALHO
Durante a passagem do tufão Hagibis, 71 rios transbordam e 140 barreiras e outros aterros se romperam em vastas áreas, mostrando que o trabalho de consertar os danos é grande.
 
“Estamos absolutamente com falta de trabalhadores”, disse Yoshiaki Suzuki, presidente da empresa de construção Suzuki Kenzai Kogyo, na província de Chiba, que sofreu com três inundações desde o início de setembro.
 
A cidade de Tateyama, onde Suzuki mora, ainda estava se recuperando de fortes inundações e longas quedas de energia causadas pelo tufão Faxai no mês passado, quando o Hagibis atingiu a região nos dias 12 e 13 de outubro. Na sexta e no sábado, uma terceira tempestade inundou a cidade, matando 10 na província de Chiba e despejando até 283,5 milímetros de chuva em algumas áreas em apenas 12 horas.
 
“Nossa principal prioridade é restaurar o fornecimento de luz e água, reparar estradas e cobrir os telhados danificados com lonas azuis”, disse Suzuki à Reuters. “Não há tempo para remover os montes de entulho causados ​​pelos dois últimos tufões”.
 
O solo desestabilizado de tempestades anteriores levou a novos deslizamentos de terra, tornando o trabalho perigoso para as pessoas que ainda estão escavando, disse ele.
 
ALTA TECNOLOGIA
Para resolver a escassez de trabalhadores, algumas empresas de construção estão adotando a tecnologia.
 
Por exemplo, algumas empresas usam drones sobre canteiros de obras para medição tridimensional. Os dados alimentam máquinas que planejam e implementam projetos, disseram funcionários do Ministério de Terras, Infraestrutura e Transporte. Essas técnicas de “i-Construction” podem reduzir o tempo de trabalho em 30%, afirmaram eles.
 
Soluções tecnológicas como essas são implantadas em 60% dos projetos de construção em larga escala, segundo as autoridades.
 
Mas a maior parte da recuperação após os desastres será feita com tijolos, argamassa, equipamentos e trabalho manual.

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