Fã de Jaspion, cantor viaja ao Japão e conhece pedreira com ator da série

Ricardo Cruz na pedreira japonesa onde foram gravados Jaspion e outros tokusatsus
Imagem: Montagem/UOL/Reprodução/YouTube/Ricardo Cruz/Divulgação/Toei Company

Prestes a sair do papel, Jaspion – O Filme será ambientado no Brasil, mais precisamente em São Paulo, mas os fãs já torcem para o longa-metragem ser rodado em outras locações icônicas da série, como a pedreira original onde o herói derrotou os inimigos com sua Spadium Laser. Um brasileiro já pisou neste solo sagrado (e pedregoso): Ricardo Cruz, único cantor ocidental da banda japonesa JAM Project.

A carreira de Ricardo Cruz está intimamente ligada à pedreira utilizada pela Toei, produtora de tokusatsus —como são chamadas as séries japonesas, como Jaspion. Fanático pelas produções asiáticas, ele completou o colegial (atual Ensino Médio) em uma escola de Tóquio, apenas para respirar o mesmo ar de seus heróis. Naquele 1999, com 17 anos, realizou o sonho de visitar a pedreira mágica.

“Eu estava hospedado na casa de uma família japonesa, e tinha comprado uma enciclopédia com todos os monstros das séries produzidas no Japão. No livro, havia o endereço da pedreira e pedi para a mãe da família tentar me levar até lá. Ela abraçou a ideia, mas ligou antes e explicou que um brasileiro queria visitar a pedreira. Foi incrível, surreal. Fiquei emocionado, em silêncio, mal respondia o pessoal porque estava fascinado”, recorda Ricardo Cruz ao UOL.

Visita com ator de Jaspion

Ricardo Cruz visita pedreira de Jaspion com o ator Hiroshi Watari
Imagem: Reprodução/YouTube/Ricardo Cruz

De volta ao Brasil, o jovem Ricardo Cruz transformou o fanatismo em trabalho. Seu primeiro emprego foi com Nelson Sato, presidente da Sato Company e idealizador do filme de Jaspion. Também foi jornalista, é cantor e professor de japonês. Em 2003, participou da criação do primeiro grande evento de cultura pop japonesa: o Anime Friends, que trouxe atores e cantores asiáticos pela primeira vez ao país.

Um dos astros dos tokusatsus, Hiroshi Watari, tornou-se amigo de Ricardo Cruz, que até sai para beber com o intérprete dos heróis Sharivan e Spielvan quando viaja ao Japão. O ator, que também deu vida a Boomerman em Jaspion, ajudou o brasileiro a retornar à pedreira em fevereiro deste ano.

“Combinamos e peguei a câmera. Decidi documentar saindo de Tóquio e chegando à pedreira [assista abaixo]. Durante a viagem, ficamos conversando sobre as experiências dele sendo esses heróis. Foi uma outra história, com outro impacto, já mais velho. A pedreira está diferente, extraíram pedras, e os morros e penhascos que vimos nas séries estão mais baixos. Mas o clima todo está lá, as montanhas têm o mesmo aspecto. Foi muito incrível estar lá com ele”, celebra o cantor.

Filme na pedreira?

Ricardo Cruz está ansioso pelo filme de Jaspion, que está em fase de elaboração do roteiro. O cantor de 37 anos se dispôs a ajudar na consultoria e na parte criativa, participando da trilha sonora do longa-metragem. Como fã, ele “exige” uma cena na pedreira clássica.

“É obrigação. Que peguem uma grana e guardem, porque algumas locações icônicas merecem ter espaço. Há uma caverna famosa, uma pedreira, uma ponte, vários lugares que deveriam estar no filme”, sugere o cantor, que entende as dificuldades de produzir um filme de ação no Brasil.

“Não temos uma Hollywood em operação, de colocar o filme em uma esteira e em um ano estar pronto, ainda mais um filme desse, que envolve efeitos especiais e exige um know-how que não existe no Brasil. Há uma dificuldade ainda maior com a falta de incentivo do governo atual, em que a cultura está um pouco de escanteio e é um filme caríssimo. Espero muito que o diretor supere os desafios e estou do lado dele para o que precisar”, afirma.


Fonte: Paulo Pacheco / UOL