Oizumi – Ao completar 30 anos, a comunidade brasileira no Japão enfrenta mais um problema: pessoas com idade avançada. Preocupada com essa questão, o projeto Restart Community firmou convênio com um cemitério em Hachioji (Tóquio) e irá lançar um memorial para armazenar as cinzas de brasileiros a um custo acessível.
 
“A comunidade nikkei está ficando idosa e o que será dessas pessoas quando morrerem? Os filhos e netos já não vão voltar mais para o Brasil e a nossa ideia é criar um espaço digno para que essas pessoas sejam sepultadas”, explicou Takaharu Hayashi, presidente da Nihon Kaigai Kyokai (JOC), associação responsável pelo projeto.
 
A cerimônia de lançamento do Memorial Restart (nome provisório do jazigo coletivo) foi realizada no último sábado (5) em Oizumi (Gunma), e contou com a performance de Yoshihiko Tsutsumi, artista plástico que estilizou o projeto do memorial. Devido às restrições impostas pela pandemia de Covid-19, o evento contou com a participação de poucas pessoas.
 
Segundo o presidente da JOC, a previsão é de que o memorial esteja pronto em abril de 2021. Com espaço para abrigar 200 urnas, o jazigo terá custo acessível, inferior ao valor médio de um funeral japonês, que facilmente, costuma passar de ¥1 milhão.
 
Além de brasileiros e estrangeiros, o espaço poderá acolher as cinzas de quem faleceu no Brasil, mas que gostaria de ser sepultado no Japão. “Nossa ideia é criar um espaço seguro para os entes queridos possam visitar sempre”, concluiu Hayashi.
 
O jazigo coletivo faz parte do projeto Restart Community. Em junho, foi inaugurado no segundo andar do prédio que abrigou o Brazilian Plaza, em Oizumi, um projeto-piloto de centro de reinserção social.
 
Além de moradias temporárias, o local oferece alimentação gratuita às pessoas em situação de vulnerabilidade, além de qualificação profissional para recolocação no mercado de trabalho. Desde que foi inaugurado, o centro já atendeu cerca de 80 pessoas, entre brasileiros, japoneses e outros estrangeiros.