Brasileiros no exterior enfrentam dificuldades para retornar ao Brasil

Silvio Mori – Nagoya


A pandemia do coronavírus que se alastra pelo mundo e aumentou nos últimos dias no Brasil está afetando os brasileiros que moram no exterior e

pretendiam retornar ao país, muitos tiveram os voos cancelados ou adiados pelas companhias aéreas por medidas de segurança.

A brasileira M.N.W.N. (41), depois de um ano e meio morando no Japão decidiu voltar ao Brasil. O retorno seria junto com o marido e as duas filhas, marcado para o dia 30 de março, mas a companhia avisou que o voo escolhido por ela foi cancelado e pediu para antecipar a viagem. A data escolhia pela família foi para o próximo dia 25, mas a passageira soube soube por uma amiga que o voo da nova data também

havia sido cancelado. 

“ Ligamos na agência e eles tentaram remarcar, disseram que a AirFrance está fechada e só vão confirmar na segunda-feira. Eu pedi para adiantar para segunda ou terça no máximo, mas está cancelando tudo”, declarou.

Segundo M., continuar no Japão é impossível, já que o marido se desligou do emprego e não pretende voltar. Para tentar uma solução entrou em contato com autoridades brasileiras pedindo a repatriação. 

“ Não pretendemos voltar, porque está começando uma crise aqui que será terrível. O Japão ainda não fechou tudo porque está encobertando os fatos devido a proximidade com as olimpíadas, mas assim que decidirem adiar ou cancelar será instaurado o  coas. Não vão mais esconder os números de infectados”, disse.

Com viagem marcada também para o dia 30 deste mês, Nataly Miyabe, soube do cancelamento do voo que sairia de Nagoya, mas com a possibilidade de embarcar em Tóquio. A brasileira que reside em Mie-Ken, preferiu adiar a viagem. “ A moça da agência aconselhou a aguardar 3 meses”, explicou.

A mesma situação ou até mesmo mais difícil estão passando outros brasileiros que residem ou estão passeando no exterior, a dificuldade em retornar ao Brasil está cada vez maior. Thaís Araújo, 26 anos, está no Alpes da França e trabalhava em um hotel que foi fechado da noite para o dia.

“ Eu acordei na segunda-feira e foi dada a notícia que estavam pedindo para os hospedes se retirarem porque o hotel foi notificada a fechar. Todo mundo foi demitido”, explica.

A decisão tomada pela brasileira foi de retornar ao Brasil no último sábado (21), partindo de Lyon na França com destino a Lisboa, onde teria uma conexão com espera de 20 horas, até seguir para São Paulo,  mas não conseguiu se que locomover dentro da França, então decidiu cancelar a viagem.

“ Está bem difícil o deslocamento dentro da França. Eu não sei se seria multada ao tentar chegar em Lyon. Tem uma nota na TAP, dizendo que Portugal não está aceitando escalas que não saem no mesmo dia de chegada. Tem muitos voos sendo cancelados em Portugal também e chegando em São Paulo não sei se conseguiria me deslocar até o sul, onde minha família mora. Portanto resolvi ficar aqui para evitar de ficar presa no caminho”, explicou.

Diante da decisão de permanecer na França, Araújo tentou cancelar a passagem e teve mais dificuldades. O site da companhia aérea pela qual viajaria apresentou instabilidade e não aceitava o nome da passageira. Depois de várias tentativas ela conseguiu registrar o pedido que agora está em análise.

“ Não sei quanto vão me devolver. Só sei que vai ser em forma de voucher da empresa para ser usado até o final do ano”, disse.

Quem conseguiu chegar ao Brasil agora enfrenta a dificuldade em retornar ao Japão. É o caso da nikkey Vanessa Yukimi, que reside em Aichi e foi passar as festas de final de ano junto com a família em Brasília. Com retorno agendado para o dia 29 de março, soube do cancelamento do voo deste dia pela companhia e recebeu a opção de viajar nesta segunda-feira, o que se tornou impossível para Yukimi.

“Me deram a opção de embarcar dia 23, porque esse voo por enquanto esta confirmado. Mas não tenho condições de embarcar manhã e passar por São Paulo, ou medo de ficar presa em algum país ou cidade. Eles estão tomando medidas de uma dia para o outro e fico com receio de ficar presa em algum lugar”, afirmou.

Em alguns países há restrições de entrada de pessoas, dependendo da origem do voo, independente da nacionalidade. O governo de Israel, por exemplo, passará a exigir que os estrangeiros que desembarcarem no país, bem como os cidadão que retornarem de viagens ao exterior, passem por um isolamento de 14 dias. O Ministério da Saúde, População, Imigração e Controle de Fronteira do país, já havia proibido a entrada de não residentes que tenham visitado a China, Itália, Tailândia, Macau, Hong Kong, Singapura, Coreia do Sul e Japão 14 dias antes da chegada.

Israel era o destino da brasileira Juliana Murai, que mora no Japão. A viagem programada para o feriado de Golden Week, teria início em Nagoya com escala em Hong Kong e destino final Tel Aviv, mas teve que ser cancelada.

“ Com o fechamento da fronteira, eles estão mandando de volta os turistas do Japão e da Coreia. Como não há previsão de Israel permitir a entradas devido a situação dos outros países. A decisão foi em conjunto”, explicou.

Os cancelamentos de voos estão sendo adotadas por diversas companhias aéreas como medida de segurança contra o coronavírus e atendendo as determinações adotadas pelos países para evitar ainda mais a propagação da doença. Em muitos países, as fronteiras estão sendo fechadas e proibindo a entrada de estrangeiros.

As companhias estão comunicando seus passageiros via email sobre cancelamentos e também em postagens em seus sites. Há também informações de como proceder para o adiamento de viagem e reembolso, caso o passageiro decida cancelar a viagem. Algumas empresas aéreas estão adotando o sistema de voucher como reembolso.

Emirates

A companhia aérea Emirates, uma das maiores do mundo, comunicou oficialmente neste domingo (22), as paralisações de todos os voos a partir do dia 25 de março (quarta-feira). 

A companhia estatal de Dubai já havia anunciado a suspensão de quase 70% de sua rede de 159 destinos, pediu aos funcionários que tirassem férias não remuneradas e congelou contratações, já que o setor enfrenta um dos maiores desafios de todos os tempos.

 

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