Agente de viagens se reinventa e abre drive-thru de espetinho

Pandemia fechou fronteiras e empresário que recrutava trabalhadores para o Japão, agora comercializa churrasco

Súzan Benites /Correio do Estado

Com a pandemia do novo coronavírus (Covid-19) muitas pessoas perderam empregos e principalmente no setor do turismo muitos empresários se viram sem renda. É o caso do Paulino Nobuyuki Matsubara, 48 anos, que trabalhava enviando trabalhadores ao Japão e abriu um espetinho no formato drive-thru. 

O empresário conta que era agente de viagens, depois de um tempo abriu a própria empresa que recrutava descendentes de japonês para trabalhar no país asiático. “Eu tinha contrato com empresas japonesas, então eu recrutava e fazia toda a ponte até o embarque dessas pessoas para o Japão. No começo de abril fui avisado que as fronteiras do país seriam fechadas, ninguém mais ia entrar ou sair de lá”, conta Matsubara.

Neste momento, o empresário se viu sem nenhuma renda. Ele explica que tentou empréstimos, ajuda governamental, mas ficou sem nenhum tipo de receita. “Minha esposa estava em casa cuidando da nossa filha e todo nosso rendimento vinha da empresa. Começamos a pesquisar o que fazer e resolvi entrar no ramo de espetinhos”, explicou.

Segundo Matsubara, antes de criar o empreendimento ele pesquisou e fez um plano de negócios. Em parceria com a Universidade Católica Dom Bosco (UCDB) conseguiu elaborar um foder para divulgação do empreendimento. Há dez dias colocou em prática as vendas em frente a sua residência, localizada no bairro Morada Verde, região do Coronel Antonino, em Campo Grande.

“As pessoas entram em contato pelo whatsapp, fazem o pedido e depois só vem retirar. Por causa do coronavírus não estamos servindo no local”, disse o empresário que afirmou que aposta no diferencial do produto para ter sucesso. “Estamos começando, mas já tem vindo gente de outros locais para consumir nosso produto. O diferencial é que entregamos em embalagem térmica, tudo bem armazenado, por R$ 5. Temos espetinho de carne, molho de alho especial, caldo de feijão para os dias frios e a opção de yakitori, um espetinho de frango com tempero agridoce”, explicou Matsubara.

De acordo com o empresário a expectativa é conciliar as duas coisas no pós-pandemia. “Quero continuar fazendo as duas coisas, com o recrutamento de trabalhadores e com os espetinhos também. A gente começa a ver muita coisa que não via dentro de casa, hoje percebo tanta coisa trabalhando para o lado de fora. Tem muita gente nas ruas, inclusive passando fome, a gente ajuda como pode”, concluiu Paulino Matsubara.