Abrigo rejeita morador de rua em meio a tufão e causa polêmica no Japão

Por BBC / G1


Após dias de controvérsia sobre o tema no país, o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, afirmou que os abrigos para tufão do Japão “deveriam ser abertos a todos”. A declaração veio após as críticas sofridas quando duas pessoas sem-teto foram rejeitadas durante a pior tempestade do país em décadas.

O tufão Hagibis trouxe chuva pesada e ventos de 225km/h no fim de semana, deixando 72 mortos.

Mas quando dois moradores de rua tentaram entrar em um abrigo em Tóquio durante a tempestade, eles foram recusados porque não tinham endereço.

O caso gerou um grande debate no Japão — em que nem todos foram solidários aos sem-teto.

O que aconteceu no episódio?

Quando o Hagibis apareceu no sábado de manhã, um morador de rua de 64 anos buscou abrigo em uma escola de ensino fundamental que estava sendo usada como um centro de evacuação.

A escola ficava no bairro de Taito, que inclui San’ya — uma área em que historicamente moravam muitos operários, e agora moradores de rua.

De acordo com oficiais que falaram com a publicação “Asahi Shimbun”, os atendentes pediram que o homem escrevesse seu nome e endereço. Quando ele disse que não tinha endereço, foi rejeitado e não pôde entrar.

“Eu disse para eles que eu tinha um endereço em Hokkaido (ilha a quilômetros de distância de Tóquio), mas nem assim eles me aceitaram”, ele disse.

Sem lugar para dormir, o homem disse que passou a noite sob um guarda-chuva, improvisando um abrigo na marquise de um prédio. “O vento estava forte e chovia.”

Naquela tarde, outro morador de rua foi rejeitado.

Como as pessoas reagiram?

À medida que a notícia se espalhou nas redes sociais, houve muita indignação a respeito da decisão do abrigo.

“É esse o país que vai ser anfitrião das Olimpíadas?”, questionou um internauta no Twitter, lembrando que os Jogos Olímpicos do próximo ano serão na capital, Tóquio. “As pessoas de outros países vão ver isso e pensar que esse é um país horrível.”