Abe confirma aumento de imposto sobre consumo para 10% no ano que vem

Tóquio – O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, disse nesta segunda-feira (15) que vai avançar com o plano de aumentar do imposto sobre consumo (shouhizei) em outubro de 2019.

Abe disse que o governo considerará incentivos fiscais para compras de bens duráveis, como carros e residências, e criará um esquema para aliviar o fardo sobre as pequenas e médias empresas quando o imposto subir de 8% para 10%.

O governo vai isentar os alimentos do aumento do shouhizei, mas ainda há preocupações persistentes de que impostos mais altos afetarão os gastos dos consumidores e reduzirão o crescimento econômico.

“Estamos programados para aumentar o imposto sobre vendas para 10% em outubro de 2019”, disse Abe, de acordo com um comunicado.

“Temos de enfrentar os problemas causados pela nossa sociedade envelhecida e construir um sistema de bem-estar social fiscalmente sólido”.

O governo precisa de uma receita fiscal extra para pagar os custos crescentes dos cuidados de saúde para a população idosa.

O Japão tem a maior carga de dívidas do mundo, com mais que o dobro do tamanho de sua economia de US$ 5 trilhões, deixando as finanças públicas em uma posição precária.

O aumento de imposto pode ter consequências profundas e duradouras para as famílias preocupadas com os preços.

Além de alimentos, o governo vai isentar as bebidas não alcoólicas, o que significa que os varejistas podem continuar a vender esses produtos com a taxa atual de 8%.

O imposto sobre a maioria dos bens aumentará para 10%, de modo que os varejistas terão que lidar com o ônus de administrar múltiplas taxas de impostos.

O governo usará metade da receita gerada pelo aumento de imposto para subsidiar os custos de educação, disse Abe no comunicado.

Mais cedo nesta segunda-feira, o governo aprovou um orçamento extra de 936 bilhões de ienes (US$ 8,38 bilhões) para a reconstrução após um forte terremoto na ilha de Hokkaido e severas inundações no oeste do Japão.

A decisão de Abe sobre o aumento do imposto ocorre em meio à crescente preocupação de que a guerra comercial entre os Estados Unidos e a China prejudique a economia global.

O primeiro-ministro adiou por duas vezes o aumento de imposto após o último reajuste, de 5% para 8%, que desferiu um golpe no consumo privado, que responde por cerca de 60% da economia.

“Esse aumento de imposto é de apenas 2 pontos percentuais, mas temos que usar nossa experiência do reajuste anterior e fazer todos os esforços para aliviar o impacto sobre a economia”, disse ele.

Foto: Reuters