UFMS investiga vírus que afeta o sistema imunológico em imigrantes japoneses

Pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul em parceria com a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e a Associação Okinawa Kenjin do Brasil investiga  o Vírus Linfotrópico de Células T Humanas, conhecido pela sigla HTLV, entre imigrantes okinawanos e seus descendentes residentes em São Paulo.

De acordo com a doutoranda Larissa Melo Bandeira que conduz a pesquisa, o HTLV pode atingir qualquer pessoa, é um vírus que infecta os linfócitos T, um tipo de célula de defesa que circula no sangue. “O HTLV é transmitido principalmente pela amamentação, por isso deve ser recomendado o uso de fórmulas lácteas para alimentar os filhos de mulheres portadoras do vírus. Também ocorre transmissão por relação sexual, razão pela qual é recomendado o uso de preservativos”.

Devido a atual realização de sorologia para infecção pelo HTLV, a transmissão por transfusão de sangue praticamente não ocorre mais, mas pode sim haver contágio pelo compartilhamento de objetos pérfuro-cortantes contaminados (agulhas, seringas, barbeadores, materiais de manicure).

 

Considerado um vírus silencioso por, na maioria dos casos, não provocar sintomas, o HTLV ataca, principalmente, a célula T humana, um tipo de linfócito importante para o sistema de defesa do organismo, o que pode causar alterações neurológicas (paralisia nos membros inferiores), no sistema imunológico (leucemia-linfoma) e alterações urológicas, na pele, nos olhos e/ou nas articulações.

De acordo com Larissa, “O HTLV-1 foi descrito pela primeira vez no Brasil por Kitagawa e colaboradores, em uma comunidade japonesa residente em Campo Grande, em 1986. Em 2012, nossa equipe da UFMS, em parceria com Fiocruz-MS, Fiocruz-RJ, Associação Okinawa de Campo Grande e Associação Nipo Brasileira de Campo Grande, investigou a epidemiologia da infecção pelo HTLV entre os japoneses e seus descendentes em Campo Grande”, explicou, conforme publicação no site da UFMS.

Nesse levantamento foi encontrada a prevalência de 6,8% de infecção pelo HTLV. “Essa taxa é considerada alta – acima de 5% – e indica que a prevalência desta infecção se mantém alta na comunidade japonesa de Campo Grande, mesmo após quase 30 anos do primeiro estudo”, diz.

No trabalho mais atual, as pessoas com resultado positivo para HTLV foram examinadas por neurologista, mas ninguém apresentou sinal de doença causada pelo vírus.

“Todos portadores foram esclarecidos sobre sua situação sorológica, principalmente a respeito das formas de transmissão, já que a maior intenção é diminuir o índice de novas infecções (taxa de incidência) nas futuras gerações, o que consequentemente reduzirá ainda mais a ocorrência da infecção na população mais jovem, visto que esta já é baixa. Como não há tratamento específico contra o vírus, a melhor forma atual para combatê-lo é evitar a transmissão para outras pessoas”, afirma a doutoranda.

Colônia

O sudoeste do Japão, que engloba as ilhas de Shikoku, Kyushu e Okinawa, é considerado uma área endêmica para infecção pelo HTLV. “A partir do ano de 1908 um grande número de imigrantes e descendentes okinawanos vieram para o Brasil, por isso o estudo da epidemiologia da infecção pelo HTLV em nosso país se faz necessário”, completa Larissa.

País com o maior número absoluto de indivíduos infectados pelo HTLV-1 no mundo, o Brasil tem hoje 2,5 milhões de portadores do vírus, sendo Salvador a área de maior prevalência no Brasil. Já Mato Grosso do Sul possui a terceira maior comunidade japonesa do Brasil e Campo Grande tem a segunda maior comunidade japonesa okinawana no país.

 

Fonte: UFMS