Presidentes das entidades nikkeis de Campo Grande destacam mais um ano de Imigração Japonesa no Brasil

Os principais responsáveis pela Associação Okinawa de Campo Grande, Associação Nipo e Associação de Beisebol, foram entrevistados pelo Cultura Nikkey e responderam sobre o que temos para comemorar neste 110 anos de Imigração Japonesa no Brasil e sobre o futuro da comunidade nikkey nos próximos 10 anos.
Eduardo Kanashiro é o novo presidente da Associação Okinawa de Campo Grande.

O presidente da Associação Okinawa de Campo Grande, Eduardo Kanashiro, os 110 anos é um “Fato Histórico” e há muito o que se comemorar, pois sem a vinda dos primeiros imigrantes, quem sabe, não estaríamos aqui. “Até hoje, vemos os costumes e a cultura japonesa em evidência, e são costumes herdados de pai para filho.  Ao longo dos anos, percebemos a participação dos japoneses e seus descendentes no desenvolvimento da nossa cidade, seja como empresários, profissionais nas mais variadas áreas, política, economia, educação, e cada um dando a sua parcela de contribuição”, disse. Kanashiro ressalta também que os descendnetes tem a  obrigação de manter viva na memória dos filhos, e netos, a importância da Imigração Japonesa no Brasil e lembrar que os primeiros imigrantes passaram as maiores dificuldades de adaptação, pois tinham costumes e idioma diferentes, e foi com muito suor e lágrimas que muitos conseguiram prosperar. “A maioria dos descendentes já estão nas 3ª (sansei – neto de japonês) e 4ª (yonsei – bisneto de japonês) gerações, e se não mantermos o costume de transmitir a cultura dos nossos antepassados a eles, corremos o risco de perdermos a nossa identidade. Com o avanço da tecnologia (games, celulares, tablets, pcs), os nossos jovens estão deixando de frequentar as Associações Nipo-Brasileiras para terem mais contato com a nossa cultura. Se nada for feito, futuramente, as

Jorge Gonda – Presidente da Associação Nipo de Campo Grande.

associações serão extintas, devido ao seu esvaziamento”, finalizou.

Para o presidente da Associação Esportiva e Cultural Nipo Brasileira de Campo Grande, Jorge Gonda, os 110 anos de Imigração Japonesa no Brasil é importante, pois foi deixado um legado de honestidade pelos antepassados. “Em especial para nós de Campo Grande, o mais importante foi a visão que eles tinham, dedicando à educação como condição essencial  na formação do cidadão, visto que a Escola Visconde de Cairui este ano completará 100 anos. Todos ex-alunos , professores, familiares e simpatizantes estão convidados a participar da festa”, disse.

Gonda falou também da preocupação com o baixo número de pessoas que querem manter a cultura e dedicar como voluntário nas Associações. “Para manter as Associações devemos contar também com apoio das pessoas que não são descendentes de japoneses mas que admiram  a nossa cultura. Para isso devemos apoiar os jovens que queiram participar das Associações, divulgando a cultura e mostrando a importância deles estarem juntos, pois eles serão os futuros dirigentes”, declarou.

Mauro Seidi Sakai – Presidente da Associação Campograndense de Beisebol.

Mauro Seidi Sakai, presidente da Associação Campo-grandense de Beisebol (ACB), ressalta o respeito e honra ao falar dos 110 anos de Imigração. “Se nossos antepassados não tivessem passado tantos sofrimentos e agruras nenhum de nós (descendentes) estaríamos aqui hoje.É graças as gerações anteriores que atualmente ocupamos posições de destaque na sociedade”, disse.

A educação e respeito pelos mais velhos também foi destacado por Sakai. Sobre os próximos dez anos, Sakai acredita em pessoas preparadas para continuar o legado, que a atual geração, ao preparar a próxima, não perca a essência e nem as qualidades dos antepassados.

“Estamos em tempos em que a velocidade das informações é muito rápida, os empregos se renovam e se transformam mais rapidamente do que um piscar de olhos. Por isso devemos nos focar em coisas simples: Prestar seu serviço da melhor forma possível, tentar se atualizar, cuidar da nossa saúde e de nossa família, respeitar os mais velhos e se envolver na comunidade procurando o bem estar geral. Nunca se esquecendo que nesses tempos de extrema individualidade que o “EU” não pode se sobressair sobre o “NÓS””.

Sakai finalizou dizendo: “Creio que cultivando esses pequenos, mas não menos importantes, valores estaremos preparando a próxima geração para continuar em evidência e sem perder a essência de ser o verdadeiro “NIHONJIN”.