Esbanjando longevidade, japoneses festejam quem nasceu com signo do cachorro

Cerimônia parabenizou pessoas com 72, 84 e 96 anos, além daqueles com mais de 85

A tradicional festa de ano novo, a Shinnenkai, da Associação Okinawa lotou a sede do clube neste domingo (14), com homenagens especiais aos aniversariantes do signo regente do ano, o Cachorro. Associados já muito idosos também foram honrados em uma cerimônia que durou mais de duas horas no espaço.

De acordo com o horóscopo chinês, pessoas regidas pelo signo do Cachorro são corretas, constantes, simples e atenciosas. Uma curiosidade da cultura dos descendentes de Okinawa é que a idade de cada um é contada a partir do período dentro do ventre da mãe. Ou seja, se você estiver completando aniversário, pode adicionar mais 9 meses a sua idade.

Cerca de 40 pessoas foram homenageadas ontem, inclusive, com entrega de diplomas. Meninas com vestimentas semelhantes às das gueixas reverenciam senhores e senhoras. Na ausência do aniversariante, parentes receberam as congratulações.

A festa é passada de geração em geração. “A gente faz questão de manter a tradição. Nesta cerimônia, congratulamos os associados que completam 72, 84 e 96 anos”, diz o presidente da Associação, Eduardo Kanashiro.

A longevidade é uma das características na cerimônia. Pessoas com mais de 100 anos e bem ativas provam que os japoneses tem hábitos que garantem saúde por muito mais tempo. O encerramento da entrega dos diplomas foi marcado com um brinde e com o bolo de parabéns!

Francisco Shirado concedeu entrevista ao Campo Grande News.

Para o aposentado Francisco Seike Shirado, um dos aniversariantes, que completou 85 anos, o segredo de tanta vivência está na biologia dos japoneses. “Alimentação na minha casa é normal, por isso não dá pra dizer que eu vivi tanto por conta de comer de forma saudável”, explica.

Ele pretende viver mais, no mínimo, outros 85 anos, brinca. “Eu me sinto muito feliz e estar aqui hoje”, completa.

Já para uma das mais antigas feirantes de Campo Grande, a senhora Eliza Okimoto, a chave da longevidade está na batalha do dia a dia. Ela também estava entre umas das homenageadas, completando 73 anos. “Acho que tenho saúde até hoje porque trabalho todos os dias de minha vida, e espero continuar por aí ate quando Deus quiser”, conta.

Aos 72 anos, o neurocirugião Ilton Shinzato, descente de japoneses de Okinawa, considera que a questão é muito mais científica do que fruto de achismos. “Já está comprovado que a gente vive mais por conta da alimentação”, diz.

A rotina ainda tem muitas características do passado. “O peixe, o tempero próprio e, as vezes, até a ausência dele, fazem parte da nossa rotina”. Além disso, o estilo de vida também contribui. “Por mais que a gente possa ter, não temos o costume de querer largar o que é mais simples. Não precisamos de muito, na verdade, estar em família, comemorar a vida já está de bom tamanho”.

Além da cerimônia de entrega de diplomas, a festa contou com uma espécie de ceia, a Motiyori, nos moldes japoneses, na qual cada convidado leva uma comida de sua casa para dividir com os presentes. Danças como o Taiko, e músicas típicas da região de Okinawa, como o Shamisen, encerraram a Shinnenkai.

Por Campo Grande News / Thaís Pimenta

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