De pensionato a sacolão, família tem história de quase 40 anos na Mato Grosso

Waldir sempre esteve a frente do atendimento, junto de Luiza. (Foto: Marina Pacheco)

Em 1980, o comerciante Waldir Oshiro, de 59 anos, saiu da chácara da família, na região do Nova Lima, para trabalhar na “cidade”, assumindo um pensionato na avenida Mato Grosso. Ele não esperava que 5 anos depois o espaço se transformaria em algo bem diferente, muito menos que estaria no mesmo lugar 38 depois, agora com o Sacolão Central de Campo Grande.

Os pais vieram de Okinawa para o Brasil e desembarcaram na Capital pela estrada de ferro. Se instalaram e foram trabalhar com o que sabiam fazer: com a terra. Não era de se estranhar que Waldir fosse pelo mesmo caminho.

Ele decidiu comprar o pensionato porque, naquela época, o movimento de acadêmicos no Colégio Dom Bosco era constante. “Chamava Fucmat, o pessoal que morava aqui há anos vai se lembrar disso”, diz. Pra ter uma rendinha extra, colocou algumas das frutas e verduras produzidas na chácara da família à venda, bem em frente ao pensionato.

 

Waldir no transporte de legumes e verduras em 1990. (Foto: Acervo Pessoal)

Em 1985, ele notou que compensava largar o pensionato para se dedicar apenas à venda dos produtos. Foi quando desativou e começou a mexer na estrutura do prédio, que continua a sofrer alterações até hoje, nunca satisfeito, com as obras distribuídas pelo sacolão.

O que era produzido na chácara já não era suficiente para atender a clientela de Waldir e ele passou a fazer um trajeto semanal até São Paulo. “Ia com o caminhão até o Ceasa de São Paulo para trazer novas mercadorias. O transporte era mais complicado, mas no fim dava certo”, lembra.

O negócio deu tão certo porque, de acordo com Waldir, a região era residencial. “Isso daqui hoje de tornou o Centro da cidade, mas antes eu tinha um monte de clientes vizinhos. Hoje, a maioria deles é das lojas, por isso o movimentou caiu bastante”, lamenta.

O Pronto Socorro da Santa Casa também lhe rendia clientela fixa. “Aqui em frente era a entrada para o ambulatório. Isso mudou né, foi para o lado da  Rua 13 de Junho”, explica.

Ele lembra que nem tudo foram flores nesses 33 anos de funcionamento do Sacolão Central. O produto com que escolheu trabalhar é muito perecível e a rotina não é simples. “Qualquer falha no transporte, no armazenamento, estraga as frutas e as verduras, por isso muita gente desiste de mexer com isso, ou as vezes até vê sua empresa falir”.

São décadas acordando diariamente às 3h30 da manhã, para poder abrir o espaço às 5h30 e fechar só às 19h30. “Passo tanto tempo trabalhando que desisti de morar longe do sacolão. Montei um espaço improvisado aqui nos fundos quando me casei com a Luíza e de cá não saímos mais”.

Luíza Oshiro e Waldir se conheceram no Sacolão quando a loja já estava com 10 anos de funcionamento. Do namoro ao casamento foram alguns poucos, anos. A esposa se encantou com a profissão do marido e seguiu no mesmo caminho. “Se eu deixar, ela fica aqui 24 horas por dia”, brinca.

Os filhos Wagner e Willian em frente ao sacolão, que tinha outra fachada antigamente. (foto: Acervo Pessoal)

Por mais difícil que seja trabalhar com isso, o casal criou dois filhos, Wagner e Willian, com toda a renda vinda do sacolão. Os meninos hoje já estão formados, um em Direito e outro em Administração, mas sempre que podem ajudam os pais a modernizar o sistema de trabalho do local.

Os funcionários se mantêm desde o início. “Ficaram com a gente o Oswaldo, Laércio e a Irene. Eles vão completar uns 25 anos de casa já. Gostaram de pegar no batente”, comenta.

A estrutura do sacolão hoje conta com açougue, lanchonete, mercadinho e artigos orientais. Muitas das modificações foram feitas para atender aos médicos e pacientes da Santa Casa. “Eles pediam por salgado, por exemplo, e  a gente colocou aqui, mas eu compro terceirizado. A carne vem de frigorífico e as verdura são do Ceasa da Capital, porque eles melhoraram no serviço deles, hoje tá bom, e dá pra contar”.

O que mais sai no Sacolão Central, que é o diferencial do espaço, são os produtos orientais, a grande variedade de pimentas e as frutas exóticas. O grande sonho do casal é finalizar a estrutura do jeitinho que sempre sonharam, informatizar o sistema de caixa e fazer cursos de atualização em gestão.

A correria da rotina não assusta mais, tanto é que Waldir pretende trabalhar até quando aguentar. “A gente só sabe fazer isso, tem que gostar de atender as pessoas e de mudar o tempo inteiro”, finaliza.

O espaço fica na Avenida Mato Grosso, 422. Abre todos os dias, de segunda a sexta-feira, das 5h30 às 19h30 e aos sábados, domingos e feriados das 5h30 às 19h. Para entrar em contato ligue (67) 3382-5785.

 

Fonte: Thaís Pimenta / Campo Grande News