Comunidade Japonesa aposta em Silvio Mori como nome da renovação política nas eleições de 2018

Silvio Mori foi o candidato mais votado para vereador em 2016, ficando como 1º suplente.

Após um pleito municipal atípico, sem conseguir eleger um representante para câmara, a comunidade japonesa de Mato Grosso do Sul vê nas eleições de 2018 a oportunidade de manter uma cadeira ocupada por um nikkei. Neste ano, o nome que desponta nos bastidores e pesquisas é o do jornalista Silvio Mori, do Partido Humanista da solidariedade (PHS). A seguir pode-se acompanhar o perfil do pré-candidato a deputado estadual com base na entrevista ao Cultura Nikkei.

Ele carrega no DNA o desejo de fazer algo pelo outro e a vida pública. “Sou filho de político, está no sangue. Eu subi no palanque pela primeira vez com 12 anos de idade com meu pai, que sempre teve essa vontade de mudança”. Atuante na comunidade japonesa de Campo Grande, Silvio Itiro Mori acompanhou de perto, os benefícios que a cultura nipônica pode causar, pois como dekassegui morou no Japão por dois anos e trabalhou como repórter da Globo e Record internacionais, assim como correspondente para agências de notícias.

Sonhando com o cargo de deputado estadual nas próximas eleições, Mori quer usar como exemplo as iniciativas positivas e inovadoras que pode acompanhar no exterior para fazer o mesmo na política local. “Aprendi lá fora que dá para fazer muita coisa, basta querer. Aprendi que não basta só o governo e o representante agir, é preciso uma transformação de toda sociedade. Temos que investir na educação das crianças, isso é uma coisa que eu vi lá. É ensinado nas escolas públicas do Japão, por exemplo, que não se pode deixar um grão de arroz sobrando no prato porque tem alguém que precisa. Com exemplos assim mudamos a sociedade”.

Jovem para os parâmetros parlamentares, Silvio faz desse fator um diferencial para a mudança do atual cenário da política. “Eu ouço falar de renovação, de uma nova política, mas eu vejo gente de 20 anos querendo votar sempre nos mesmos legisladores. Se você parar para ver a mudança no cenário político é feita por gente nova. Está sendo feita por Sérgio Moro, aqui no nosso estado por Paula Volpe, Marcos Alex Vera, são pessoas da nova geração”.

Silvio Mori tem bom trânsito no meio político da Capital e do Estado.

Apesar de carregar a bandeira da renovação aliada à juventude, Silvio tem muita experiência política, sendo assessor de imprensa na Câmara Municipal 6 anos e na Assembleia Legislativa por outros dois. Nas eleições de 2016 foi candidato a vereador, atingindo o cargo de primeiro suplente de seu partido. Acompanhando de perto os trabalhos parlamentares, Mori afirma que aprendeu a maneira de trabalhar. “Não adianta querer abraçar tudo porque você não consegue, mas você tem que ter algumas diretrizes porque o período de mandato é curto, são quatro anos”.

Para o pré-candidato, o currículo e o histórico são as principais armas para enfrentar o momento tão frágil enfrentado pela figura do político estigmatizada como criminosa. “Eu nunca exerci um cargo público político, não sou ficha suja. Eu posso circular por todos os lados de cabeça erguida e tranquilamente. Ninguém pode apontar o dedo para mim e me acusar de algo”.

Forte ativista da representatividade japonesa, Mori destaca a importância da comunidade para Mato Grosso do Sul e Campo Grande, ressaltando o leque aberto de negociações facilitadas para um Nikkei parlamentar. “A comunidade japonesa faz parte da história, na construção da ferrovia. Eu acredito que nós podemos contribuir muito para nosso estado e um descendente de japonês ir buscar recursos e parcerias com o Japão é muito mais fácil. Eu trago eles como exemplo, mas vou representar todo o povo de Mato Grosso do Sul”.

Com os pés no chão, Silvio Mori não quer prometer algo que não cumprirá. Para ele “se em quatro anos, conseguir lutar por três demandas posso me sentir vitoriosos”. Preocupado

Mori além de atuante é querido por toda comunidade japonesa.

com a economia estadual, a geração de emprego deverá ser uma de suas maiores aspirações. “Muitas indústrias e comércios estão fechando suas portas e abrindo no Paraguai, nosso país vizinho. Mas só vai o empresário e a empresa, o trabalhador fica aqui desempregado. Então devemos criar uma política de incentivo para novas empresas para que diminua a taxa de desemprego e ajude o empresário a sobreviver. O estado tem a maior carga tributária do centro-oeste e só com um grupo especializado a gente muda essa realidade”.

Reportagem: Michael Franco – Repórter da Rádio Globo Campo Grande especial para Cultura Nikkey