Casal começou paquera com sobá na Feira Central

Patrícia e Sidney na Barraca Aparecida, que tem 30 anos de fundação (Foto: Fernando Antunes/campograndenews)

Patrícia poderia dizer sem sombra de dúvidas que a Feira Central de Campo Grande mudou sua vida para sempre. Foi ali que ela intensificou a paquera com o marido Sidney, no restaurante da família dele, a Barraca Aparecida. Entre visitas frequentes durante as férias escolares, a jovem descobriu um amor arrebatador. De volta a São Paulo, onde morava, e com mudança marcada para o Japão, a única comunicação dos dois era por carta, até que um dia ele decidiu largar tudo e ir atrás da amada do outro lado do mundo.

Na época em que se conheceram, Patrícia Cris Ireijo Yoza, 39 anos, era apenas um bebê. “Ele jura que lembra de mim. Nossas famílias eram conhecidas”, ela ri. Mas, a empresária só descobriu a existência de Sidney Yoza, hoje com 44 anos, durante a visita na casa de um primo dele. Conversa vai, conversa vem, os dois mantiveram a paquera na Feira Central, onde todos da família dele trabalhavam. “Não sei como chamam hoje, mas no meu tempo era paquera. Eu tinha 12 anos na época, a mãe dele era meu que parente da minha família, então por isso foi tão fácil a gente se conhecer”, relembra.

Patrícia e Sidney vivendo o amor adolescente no Japão (Foto: Arquivo Pessoal)

O romance que se firmou na feira, em meio a vários sobás, foi mantido a distância durante dois anos por meio de correspondências frequentes. Até que um dia, a família de Patrícia decidiu que era hora de fazer o caminho inverso e voltar ao Japão. Foi uma bomba para o relacionamento. “Três meses depois ele estava no Japão”, ri a empresária.

A família permaneceu no País até 1993, quando em uma jogada de mestre armada por Patrícia e o pai dela, conseguiram convencer a mãe a mudar-se para Campo Grande. Tudo para ficar perto de Sidney. “Nós compramos uma barraca na Feira Central sem minha mãe saber. Eu trabalhava ilegalmente no Japão, carregando peso mesmo, em uma fábrica onde tinha 30 homens e só eu de mulher. Tinha um dinheiro também. Quando estávamos voltando convencemos ela a deixar São Paulo e vir morar aqui. Olha, foi difícil, ela não queria de jeito nenhum. Ainda bem que eu estava armada com meu pai”, conta.

Patrícia explica que a família também trabalhava com feira na capital paulista, mas voltada para o hortifrúti, com frutas e verduras. Em Campo Grande, eles se renderam ao sobá. “Chegamos em 1993, a família do Sidney também tinha barraca e ficamos juntos na feira. Namoramos ao todo seis anos até que decidimos nos casar”, diz.

O sobá, nosso patrimônio, na Feira Central (Fernando Antunes/campograndenews)

Nesse período foram 19 anos de união até hoje. Entre idas e vindas, a feira sempre esteve presente. “A barraca da minha família acabou fechando depois da morte do meu irmão mais novo. Ele foi atropelado e todos nós entramos em uma depressão. Todo mundo na feira conhecia a gente, perguntavam sobre ele e minha mãe não aguentou, todos nós na verdade”, frisa.

Com o falecimento da mãe de Sidney, o jeito foi o casal assumir a Barraca Aparecida. Os negócios cresceram, com duas unidades na feira e uma no bairro Vila Célia. Para os dois é impossível pensar em uma vida que não tenha o cheirinho do sobá. “É a única coisa que eu sei fazer, fui criada lá desde os 16 anos, minha família toda trabalha lá, minha mãe, minhas cunhadas, meus filhos ajudam no final de semana. É o que nós gostamos de fazer”, confessa.

Curta Cultura Nikkey

Matéria produzida em 13/08/2016

Fonte: Campo Grande News – https://www.campograndenews.com.br/lado-b/comportamento-23-08-2011-08/casal-comecou-paquera-com-soba-na-feira-central-prato-comemorado-ate-o-dia-14